9 Luas



01 Lourinha Bombril (Parate y mira) (D.Blanco - Bahiano)


Pára e repara
Olha como ela samba
Olha como ela brilha
Olha que maravilha
Essa crioula tem o olho azul
Essa lourinha tem cabelo bombril
Aquela índia tem sotaque do sul
Essa mulata é da cor to Brasil
A cozinheira tá falando alemão
A princesinha tá falando no pé
A italiana cozinhando feijão
A americana se encantou com o Pelé
Häagen-dasz de mangaba
Chateou canela-preta
Cachaça made in Carmo dando a volta no planeta
Caboclo presidente
Trazendo a solução
Livro p'rá comida, prato p'rá educação

02 Outra beleza (Lulu Santos - Herbert Vianna)


Outra beleza
Outra beleza você tem
Que pôr cama e mesa
E mais beleza no mundo também
Não tá no frio da pedra, do bronze ou da tela
Tá no olhar, tá no movimento dela
Em cada suspiro de amor
Cada gesto de mão, cada novo sabor
Cada ocasião em que a alma se revela
O sol se põe na paisagem da minha janela
Se o telefone tocar já sei que é ela
De caras e bocas e marcas
De ostentação, de comparação
Não precisa não
Você é muito mais bela

03 La bella luna (Herbert Vianna)


Por mais que eu pense
Que eu sinta, que eu fale
Tem sempre alguma coisa por dizer
Por mais que o mundo dê voltas
Em torno do sol, vem a lua me enlouquecer
A noite passada
Você veio me ver
A noite passada
Eu sonhei com você Ó lua de cosmo
No céu estampada
Permita que eu possa adormecer
Quem sabe, de novo nessa madrugada
Ela resolva aparecer

04 De música ligeira (De musica ligera) (G.Cerati - Bosio)


Ela deitou
Seu calor se espalhava
Eu despertei e ainda sonhava
Algum tempo atrás
Escrevi uma carta
Que nunca escolhi
As armas do amor
E daquele amor
De música ligeira
Nada nos livra
Nada mais resta
Não lhe enviarei
Mentiras e rosas
Nem penso evitar
O toque secreto

05 Capitão de indústria (Paulo Sergio Valle - Marcos Valle)

Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo p'rá trabalhar
Eu durmo p'rá trabalhar
Eu corro p'rá trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que
Passa
E polui o ar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

06 O caminho pisado (Herbert Vianna)


Da cama p'ro banho, do banho
P'rá sala
O sono persiste, o sol já não
Tarda
A vida insiste em servir um velho
Ritual
Que sempre serve a tantos outros
O mesmo pão comido aos poucos
Se senta e abre o jornal
Tudo parece normal
Um dia a menos, um crime a mais
No fundo no fundo no fundo tanto
Faz Já é hora de vestir o velho paletó
Surrado
E caminhar sobre o caminho pisado
Que conduz rumo à batalha que
Inicia a cada dia
Conseguir um lugar p'rá sentar e
Sonhar na lotação
E é tudo igual, igual, igual...
No fim dos dias úteis há os dias
Inúteis
Que não bastam p'rá lembrar ou
P'rá esquecer de quem se é
O ar pesado nesse bairro pesado em
Plena barra pesada
A mão pesada vem oferecer
E conta os trocados contando
Vantagem
E toma uma bola, começa a viagem
E enquanto não chegar a velha
Hora
Que inicia cada dia
Em várias partes da cidade, por
Lazer ou rebeldia
A mão pesada se abrirá
Oferecendo a garantia barata de
Que tudo vai mudar
E é tudo igual, igual, igual...

07 Busca vida (Herbert Vianna)


Vou sair p'rá ver o céu
Vou me perder entre as estrelas
Ver d'aonde nasce o sol
Como se guiam os cometas pelo espaço
E os meus passos
Nunca mais serão iguais
Se for mais veloz que a luz
Então escapo da tristeza
Deixo toda a dor p'rá trás
Perdida num planeta abandonado
No espaço
E volto sem olhar p'rá trás
No escuro do céu
Mais longe que o sol
Perdido num planeta abandonado
No espaço
Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu a caminhar no céu
E foi o princípio do fim

08 O caroço da cabeça (Marcelo Fromer - Herbert Vianna - Nando Reis)


P'rá ver
Os olhos vão de bicicleta até enxergar
P'rá ouvir
As orelhas dão os talheres de escutar
P'rá dizer
Os lábios são duas almofadas de falar
P'rá sentir
As narinas não viram chaminés sem respirar
P'rá ir
As pernas estão no automóvel sem andar
E os ossos serão nossas sementes
Sob o chão
E dos ossos as novas sementes Que virão

09 Sempre te quis (Herbert Vianna)


Todo o meu tempo
Todo o meu zelo
Todo o meu prédio já sabe que eu tenho
Um amor
Todo receio
Todo remédio
Tudo que sempre causava
Dor e medo
Se foi
Foi por te ver andando reto
Entre tudo que há de incerto em mim
E fui andando, voltei ao zero
Um recomeço é uma forma de se encontrar
Por ser tranqüilo, por ser sincero
Não me preocupa
O que não foi é o que vai passar
Foi por te ver andando reto
Entre tudo que há de incerto em mim
Que eu sempre te quis
Sempre te quis assim
Só p'rá mim

10 Seja você (Herbert Vianna)


Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
Mais ou menos tudo que se pode ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa, somos imperfeitos
E o que falta cega p'ro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas dê um motivo quando me entender
Seja você
Sejá só você

11 Na nossa casa (Herbert Vianna)


Quando anoiteceu
Nenhuma luz na nossa casa se acendeu
Aonde você estava?
Aonde estava eu?
Se tudo parecia nada,
Ainda assim
O nada era mais
Do que o que
Você deixou
No fim
Quando aconteceu
Quando algo em que a gente acreditava
Se perdeu
Por onde você andava?
Por que não me socorreu?
Não é o fim do
Mundo é só o fm
De tudo que
Fomos nós
Sem flutuar e sem
Tocar o fundo
Sempre sós

12 Um pequeno imprevisto (Thedy Correia - Herbert Vianna)


Eu quis ver o que o vento não leva
P'rá que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
P'rá que quem eu amo não mudasse nunca
Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
Bem devagar, ponderado
Perfeitamente equilibrado
Até que num dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa