Acústico

01 Vulcão dub (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna) - Fui eu (Herbert Vianna)

Os pés descalços queimam no asfalto
Os carros passam - vêm e vão
Eu dobro a esquina
Eu vou na onda
Pego carona na multidão
Você olhou, fez que não me viu
Virou de lado, acenou com a mão pegou um táxi, entrou, sumiu
Deixou o resto de mim no chão
Vai ver que a confusão
Fui eu que fiz, fui eu
Há algo errado no paraíso
É muito mais que contradição
Sou eu caindo num precipício
Você passando num avião
Você olhou, fez que não me viu
Foi como se eu não estivesse ali
Desligou a luz, deitou, dormiu
Nem pensou em se divertir

02 O trem da juventude (Herbert Vianna)

Minha alma é lavada, desencardida
E quem destratou a sua vida foi você
Desamarrada, desimpedida, desarmada
Voa livre pelo mundo até escurecer
Quando faz frio perto do mar
Quando não há nuvens no céu
Quando sopra o vento terral da manhã
Vale a pena acordar pra ver
Sempre atrasada, sempre iludida
De que vai voltar a vida que você deixou
O tempo, os homens
As marcas de noites e dias mal vividos
Nada disso te perdoou
Rede de surfistas no mar
Ligados por computador
Novas maravilhas pra se admirar
Não me venha com a velha dor
O trem da juventude é veloz
Quando foi olhar já passou
Os trilhos do destino cruzando entre nós
Pela vida, trazendo o novo

03 Manguetown (Lucio Maia - Dengue - Chico Science)

Estou enfiado na lama É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
Onde os urubus têm asas
Vou pintando segurando as paredes do mangue do meu quintal Manguetown
Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da Manguetown
Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge à vida suja dos dias da Manguetown
Esta noite eu sairei
Vou beber com meus amigos
E com as asas que os urubus me deram ao dia
Eu voarei por toda a periferia
Vou sonhando com a mulher
Que talvez eu possa encontrar
Ela também vai andar
Na lama do meu quintal Manguetown
Fui no mague catar lixo
Pegar caranguejo, conversar com urubu

04 Um amor, um lugar (Herbert Vianna)

O meu amor é teu
O meu desejo é meu
O teu silêncio é um véu
O meu inferno é o céu
Pra quem não sente culpa de nada
E se não for, valeu
E se já for, adeus
O dia amanheceu
Levante as mãos para o céu
E agradeça se um dia encontrar
Um amor, um lugar
Pra sonhar
Pra que a dor possa sempre mostrar
Algo de bom
Eu ainda lembro o dia, em que te encontrei
Eu ainda lembro
Como era fácil viver
Ainda lembro

05 Bora-Bora (Herbert Vianna)

Eu te imagino com ouro cara
Numa praia em Bora-Bora
Agora
E me imagino embriagado
Jogado no chão duma espelunca
Nunca!
E já não penso em nada disso
O ciúme é um laço, um artifício
Meu
E já não sou mais tão menino
Pra me pintar da cor do teu destino
Teu!

06 Vai valer (Herbert Vianna)

Se eu saísse correndo, gritando, cantando
Num pulo a colméia inteira vinha
Se eu tocasse a moda dos sete, a pedra dos nove
Às cinco eu vejo aquela estrelinha
Pintassilgo do mato, oito pés de coco
Silêncio, um carro e acaba-se a folia
Indigente cantando eu viro de lado e abraço
Com todo o embalo dessa linha
Vai valer, então
Vai valer
Se eu deixasse mais claro, era claro
Eu jogo os cacos pro alto e faço uma figura
Que vista de longe já houve quem visse de tudo
E os traços do rosto de uma santa
Mas eu não desisto e dobro os cabos e portos
Espero que ainda esteja viva
Não vou, permaneço fiel às idéias
E peço à colméia alguma garantia
Vai valer, então
Vai valer

07 I feel good (James Brown) • Sossego (Tim Maia)

Woh, I feel good
I know that
I would I feel good
I knew that I would
So good, so good,
I got you Woh,
I feel nice like sugar and spice
I feel nice like sugar and spice
So nice, so nice,
I got you

Ora bolas
Não me amole
Com esse papo
De emprego
Não está vendo
Não estou nessa
O que eu quero
É sossego

08 Uns dias (Herbert Vianna)

O Expresso do Oriente
Rasga a noite, passa rente
E leva tanta gente
Que eu até perdi a conta
E nem te contei
Uma novidade quente
E nem te contei
Eu tive fora uns dias
Numa onde diferente
E provei tantas frutas
Que te deixariam tonta
Eu nem te falei
Da vertigem que se sente
Eu nem te falei
Que eu te procurei, pra me confessar
Eu chorava de amor
E não porque eu sofria
Mas você chegou, já era dia
E não estava sozinha
Eu tive fora uns dias
Eu te odiei uns dias
Eu quis te matar

09 Sincero breu (Sidan Silv - Mário Moura - C.A. - Pedro Luiz - Celso Alvim)

Dia sem graça
Sincero breu
Vira, disfarça
Lá venho eu
Pisando em faca
Virado em rei
Diz com que cara
Eu levantei
Cadê a tampa da pasta de dentes?
Minhas chaves aonde eu deixei?
O espelho me olha impaciente
Eu ia me encontrar e me atrasei
O sol me aparece de repente
Sem eu perceber, amanheceu
Traz a conta, chama o gerente
Diz que este outro aqui sou eu
De madrugada
Fila pro céu
Se ficar em casa
Não vejo Deus
Síria, Croácia, mundo judeu
Perdi o mapa
Sincero breu
Cadê a foto daquela malvada
Nessa casa eu já não piso mais
Essa janela já tava quebrada
Meus acessos temperamentais
Cadê a tampa da pasta de dentes?
Sem eu perceber, anoiteceu
O sol me aparece de repente
Diz que este outro ali sou eu

10 Meu erro (Herbert Vianna)

Eu quis dizer - você não quis escutar
Agora não peça, não me faça promessas
Eu não quero te ver
Nem quero acreditar que vai ser diferente
Que tudo mudou
Você diz não saber o que houve de errado e
O meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria
Ah meu Deus - era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone jamais
Mesmo querendo eu não vou me enganar
Eu conheço seus passos eu vejo seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe pra trás

11 Selvagem (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna)

A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem que tá
Cansado de apanhar

12 Brasília (Herbert Vianna)

Quartos de hotel são iguais
Dias são iguais
Os aviões são iguais
Meninas iguais
Não há muito o que falar sobre o dia
Não há do que reclamar
Tudo caminha
E as horas passam devagar
Num ônibus de linha
Passos no corredor, alguém se aproxima
E uma voz estranha diz: "Bom Dia"
Posso pedir os jornais
Pedir o jantar
Ligar pra tantos ramais
Ninguém pra falar
Sobre o vermelho que abre este dia
Tudo está no lugar em que não devia
O mundo sai pra trabalhar
Enquanto eu abro a água fira
Um estranho no espelho
Alguém se aproxima
E uma voz estranha diz: "Bom Dia!"

13 Tendo a lua (Tetê Tillett - Herbert Vianna)

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo os teus bilhetes eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a Lua aquela gravidade
Aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares
Mas de bailarinos e de você e eu
Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo os teus bilhetes eu penso no que eu fiz
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
Tendo a Lua...

14 Que país é este (Renato Russo)

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é este
No Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense
No Mato Grosso, nas Geraes e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é este
Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão.
Que país é este

15 Navegar impreciso (Herbert Vianna)

A pátria-avó se volta sem memória
De todos estes anos de amor
Um amor sem beijo e sem resposta
Responde agora a uma nova sedução
Teus Joaquins, teus açougueiros, filhos de uma mãe-avó
Os bons e os maus tratos que te dei
Sucumbem com tamancos, camisetas sob a lei
Que ouviste a nova-velha Europa a te ditar
E voltas tuas costas para mim
Voltas tuas costas para o mar
Prás tuas conquistas, pro teu navegar
Prcute; tua cruz de malta sobre o azul
Um dia foste forte e generosa
Mas hoje tua memória não tem sul
Não é porque já não se usa navegar
E nem é por tua idade, eterna sois
Mas nunca mais a nossa velha intimidade
O sabor inigualável dos teus pães

Grandmother,
You turn your back with no memory of all these years of love
A love without kiss or commitment responds to a new seduction Grandmother,
I am your Joaquim, your butcher
The good and bad times I gave you
Succumb with your clogs and vest to the law the Europe dictates
And you turn your back on me
You turn your back to the sea, to your conquests, your navigation
Your maltese cross on the blue
Once you were strong and generous, now your memory has no south
Not because you no longer sail, nor for your age, you are eternal
But never again our old intimacy
That unique taste of your bread

16 Feira moderna (Beto Guedes - Lô Borges - Fernando Brant)

Tua cor é o que eles olham, velha chaga
Teu sorriso é o que eles temem, medo medo
Feira moderna
O convite sensual
Oh! telefonista, a palavra já morreu
Meu coração é velho
Meu coração é morto
E eu nem li o jornal
Nessa caverna
O convite é sempre igual
Oh! telefonista
Se a distância já morreu
Independência ou morte
Descansa em berço forte
A paz na terra amém

17 Lourinha Bombril (Parate y mira) (D.Blanco - Bahiano)

Pára e repara
Olha como ela samba
Olha como ela brilha
Olha que maravilha
Essa crioula tem o olho azul
Essa lourinha tem cabelo bombril
Aquela índia tem sotaque do sul
Essa mulata é da cor to Brasil
A cozinheira tá falando alemão
A princesinha tá falando no pé
A italiana cozinhando feijão
A americana se encantou com o Pelé
Häagen-dasz de mangaba
Chateou canela-preta
Cachaça made in Carmo dando a volta no planeta
Caboclo presidente
Trazendo a solução
Livro p'rá comida, prato p'rá educação

18 Vamo batê lata (Herbert Vianna)

Vamo batê lata, tonel, garrafa d'água
Vamo batê no pulso da artéria da rua
Vamo batê palma até de madrugada, vamo pr'aquela praça
Da verdade nua
Vamo de tamanco pro cubanco
No aperto do abraço do suvaco do pão
Quatro sete sete cinco meia no batuque samba-funk
Da alegria arrastão
Tá desorienteda, você não sabe nada
Moleque de rua e a nova língua de Brown
Pega no meu braço, aperta a minha mão
Vamo no balanço funk do lotação

19 Life during wartime (David Byrne)

Heard of a van that is loaded with weapons
Packed up and ready to go
Heard of some gravesites, out by the highway
A place where nobody knows
The sound of gunfire, off in the distance
I`m getting used it now
Lived in Brownstone, lived in Ghetto
I`ve lived all over this town
This ain`t no party, this ain`t no disco
This ain`t no fooling around
No time for dancing, or lovely dovey
I ain`t got time for that now
Transmit the message to the receiver,
Hope for an answer someday I got three passports, a couple of visas
You don`t even know my real name
High on a hillside the trucks are loading
Everything`s ready to roll
Sleep in the daytime, work in the nightime
I might not ever get home
This ain`t no party, this ain`t no disco
This ain`t no fooling around
This ain`t the Mudd Club, or CBGB
I ain`t got time for that now
Heard about Houston?
Heard about Detroit?
Heard about Pittsburgh, P.A.?
You`ve got to learn not to stand by the window
Somebody see you up there I`ve got some groceries
Some peanut butter
To last couple of days
But I ain`t got no speakers
Ain`t got no headphones
Ain`t got no records to play
Why go to college, why go to highschool?
It will be different this time
Can`t write a letter, can`t send a postcard
I can write nothing at all
This ain`t no party, this ain`t no disco
This ain`t no fooling around
I`d like to kiss you, I`d love to hold you
I ain`t got time for that now

20 Nebulosa do amor (Herbert Vianna)

Lá fora é tudo cinza e azul
É a hora mais propícia
Vê-se a olho nu
Cruzando o céu
Pequenas astronaves do amor
Vindas de um planeta
Da nebulosa do amor
Ontem, hoje, outro dia já passou
Alguém que eu não conhecia
Hoje me mostrou
Cruzando o céu
Pequenas astronaves do amor
Vindas de um planeta
Da nebulosa do amor

21 Caleidoscópio (Herbert Vianna)

Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa
Quem vai pagar as contas deste amor pagão
Te dar a mão, me trazer à tona prá respirar
Quem vai chamar meu nome
Ou te escutar
Me pedindo prá apagar a luz
Amanheceu, é hora de dormir
Nesso nosso relógio sem órbita
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Prá gente não ter nunca mais que terminar