Big Bang


01 Perplexo (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna)


Tentei te entender
Você não soube explicar
Fiz questão de ir lá ver
Não consegui enxergar
Desempregado, despejado, sem ter onde cair morto
Endividado sem ter mais com que pagar
Nesse país, nesse país, nesse país
Que alguém te disse que era nosso
Mandaram avisar
Que agora tudo mudou
Eu quis acreditar
Outra mudança chegou
Fim da censura, do dinheiro, muda nome, corta zero
Entra na fila de outra fila pra pagar
Quero entender, quero entender, quero entender
Tudo o que eu posso e o que não posso
Não penso mais no futuro
É tudo imprevisível
Posso morrer de vergonha
Mas eu ainda estou vivo Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira
Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado de aleluia
Eu vou lutar, eu vou lutar
Eu sou Maguila, não sou Tyson


02 Dos restos (Liminha - Herbert Vianna)


Do lixo deixado
Dos restos que o mundo
Não tem como esconder
Nos cantos escuros
Nas fendas dos muros
Veja se você vê
Surgem novas criaturas
Novos pontos de interrogação
Nossa casa não é mais tão segura
E as crianças querem alguma explicação
Mas é preciso coragem pra não desistir
E não achar que tudo que vivemos foi em vão
Pra essa nova moral oportunista
Eu me viro e digo não


03 Pólvora (Herbert Vianna)


As teorias que explicam o universo
Os versos que vasculham o coração
Os garis, estivadores e arquitetos
A fé manipulada dos cristãos
As alegrias, alergias, os afetos
Os fatos, frases, a simulação
O país ajoelhado, a morte, o sexo
A culpa e o olhar de acusação
O que é tudo isso diante da Pólvora?
(Dessa paixão que se renova)
Os dias, datas de aniversário
Os quartos de hotel, o avião
Os livros, discos, dicionários
A madrugada e o olhar sem direção
Os velhos, as crianças e os parques
Os templos, tumbas e memoriais
A nova velha forma do desastre
Bandeiras, panos, lenços, aventais
O que é tudo isso diante da pólvora?
(Dessa paixão que se renova)


04 Nebulosa do amor (Herbert Vianna)


Lá fora é tudo cinza e azul
É a hora mais propícia
Vê-se a olho nu
Cruzando o céu
Pequenas astronaves do amor
Vindas de um planeta
Da nebulosa do amor
Ontem, hoje, outro dia já passou
Alguém que eu não conhecia
Hoje me mostrou
Cruzando o céu
Pequenas astronaves do amor
Vindas de um planeta
Da nebulosa do amor


05 Vulcão Dub (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna)


A velha idéia me assalta
Porque descobri enfim
Os tais cenários de dor
Como nos livros que li
E a sensação me toca
Fundo em algum lugar
Aonde é tudo familiar
Lugares que nunca vi
Mas se você me quer eu te quero
Se não, não me desespero
Afinal eu respiro por meus próprios meios
Afinal eu vivo enquanto espero


06 Se você me quer (Herbert Vianna)


07 Rabicho do cachorro rabugento (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna)


Eu vim do norte com um cachorro fedorento
Com dois sacos de cimento, muita fome e muito amor

Não me interessa, você pegue o seu cimento
E também leve esse cachorro com cara de sofredor

Não fale assim desse meu bicho esganiçado
Ele é feio que é danado mas ele é bom caçador

Eu nunca vi um caçador como esse troço
Só tem couro sobre os ossos
Não consegue nem andar
Se esse bicho vê um rato
Sai corrido para o mato que é pra nunca mais voltar

Então me diga seu doutor faça o favor
Que rato é esse que eu nunca vi igual
Que assusta um elemento valente como esse cá
E o senhor fique sabendo que andaram me
Oferecendo um dinheiro no animal

Eu não agüento
Esse cachorro fedorento
E vá tirando já daqui
Esse seu saco de cimento


08 Esqueça o que te disseram sobre o amor (João Barone - Herbert Vianna)


Desculpas é que não vou pedir
Pelo que quero e o que não quero fazer
Qualquer dia eu apareço
Enquanto isso vamos nos entender
Esqueça seus sonhos
Casa, filhos, televisão
É preciso sangue frio pra ver
Que o sangue é quente
E que vai ser diferente
Pode ser o que você nunca viu
Pode ser o que você tem na mão
Pode ser exatamente o que eu digo
E também pode não
Então esqueça seus sonhos
Esqueça a regra e a exceção
É mais real, cru e fascinante
É mortal, passivo de ressurreição
Vai ser diferente...


09 Lanterma dos afogados (Herbert Vianna)


Quando está escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na Lanterna dos Afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
P`ruma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tou na Lanterna dos Afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar


10 Bang bang (Herbert Vianna)


Se o sol pudesse ver
Tudo que ia acontecer
Talvez não nascesse aquele dia
Se as orações das mães
Tivessem sido ouvidas
Nada disso acontecia
Mas naquele dia até Deus se escondeu
Não quis ouvir pedidos de socorro
A voz da razão sumiu
Quando a polícia civil subiu no morro
Fogo sobre os dois irmãos
Nem mão nem contra-mão
É só sangue, terra e cocaína
A ferida rasga a terra e mostra um coração
Que sangra e se contamina
Mas naquele dia...


11 Lá em algum lugar (Herbert Vianna)


Não importa se o que ficou
Marcou, doeu, me machucou
Nem a porta que se fechou
Eu sei que lá em algum lugar
Ficou uma luz acesa
No escuro desse amor
Que se apagou
A luz que um dia brilhou
Só existe num canto do coração
Naquela carta, nessa canção de amor
Uma luz acesa
No escuro, meu amor


12 Jubiabá (A.Robert - L.Kitchner)


É ele o estivador
Seu swing é o suor
Toda nega faz amor com ele
Toda branca tem o maior tesão
Arerê de confusão na pele
É Jubiabá seu protetor
Balduino guerreia
É de canto e de samba
É comum no coração
Luta pela divisão
Na beira do mangue é rei
Despediu-se um grande amor
Uma bala cega sem destino
Foi no peito do trabalhador
Esse era o sonho do menino
Balduino sempre vencedor
Balduino guerreia


13 Cachorro na feira (Bi Ribeiro - João Barone - Herbert Vianna)