Feliz
da vida em voltar aos palcos, Bi conta em entrevista exclusiva ao
Caderno G como está encarando o novo trabalho, e aproveita
para adiantar que os três Paralamas (ele, Herbert e Barone)
estão ensaiando para a gravação de um novo
disco e, melhor de tudo, reuniram-se na última semana para
gravar duas músicas do novo disco de Gilberto Gil –
por coincidência, um álbum de reggae em homenagem a
Bob Marley.
– Como surgiu o Reggae B?
Bi Ribeiro – Esse projeto surgiu há mais ou menos seis
meses, quando o pessoal do Negril (banda produzida por Herbert Vianna)
resolveu fazer um Tributo a Bob Marley por ocasião dos 20
anos da morte do jamaicano. Eles começaram um show tocando
músicas de Marley e convidando pessoas que gostavam de reggae
para participar – músicos do Rappa, Cidade Negra –,
e eu fui em alguns. Em seguida, apareceu a oportunidade de abrir
o show dos The Wailers, que estavam vindo para o Brasil, e nos propuseram
continuar essa banda com outro nome e sem tocar as músicas
do Marley.
– Você já tinha intimidade com o
reggae?
Bi - Eu era mais do rock’n’roll no início da
carreira mas, na década de 80, tive uma paixão pelo
reggae e, nos Paralamas, sou a pessoa que puxa mais para esse lado.
Depois, tive um projeto parecido, dez anos atrás, quando
os Paralamas deram uma paradinha e tocávamos covers de reggae
e músicas que me influenciaram. Então, não
tive dificuldades.
– Foi um começo tranqüilo...
Bi - Sim. Nos juntamos e ensaiamos o repertório sem músicas
do Marley, já que os Wailers iriam tocá-las. Fizemos
uma seqüência de cinco shows e, depois, como o negócio
ficou bom, resolvemos seguir em frente, tocando em bares do Rio
e de São Paulo.
– O Reggae B traz oito músicos de bandas
diferentes. Como é o relacionamento?
Bi – Supertranqüilo, tanto que deu vontade de continuar
e estamos juntos até agora. Rola uma união muito forte
e quem não se conhecia acabou se tornando amigo. Mas a maior
parte já tinha tido pelo menos um contato musical. O bacana
é que todo mundo adora o projeto, e isto traz entusiamo e
alegria para a banda.
– O repertório mistura composições
internacionais com trabalhos das bandas de origem de cada um. Como
é feita essa costura no palco?
Bi – De preferência, a gente evita tocar as coisas mais
óbvias do reggae que se conhece aqui no Brasil. Cada um sugere
uma música e vai trazendo para a banda, é uma escolha
democrática e, se no ensaio ficar bom, vai para o palco.
Se ficar ruim a gente corta.
– A pegada é mais voltada para o roots
reggae?
Bi – Não, a gente tenta fugir do roots e fazer uma
coisa mais moderna. Mas, ao mesmo tempo, procuramos abranger todos
os estilos dentro do reggae. Tem ska, raggamuffin’, rock steady
e até roots. É um pedaço de cada coisa.
– A banda já está desenvolvendo
algum trabalho próprio?
Bi – Como a gente tem estado muito tempo junto, surge uma
idéia daqui, outra dali, e estamos pensando em tocar alguma
coisa de dentro da banda. Outro dia mesmo, a gente se junto para
ensaiar e compusemos algumas coisas que ficaram legais e podemos
até tocar nesse show.
– Existe alguma em especial?
Bi – Não, porque as músicas nem têm nome
ainda.
– Com a volta dos Paralamas, você pretende
conciliar os dois trabalhos?
Bi – Na hora em que os Paralamas estiverem lançando
um trabalho, acho que vai ficar meio apertado. Mas a minha intenção
não é parar. Pretento continuar com os dois paralelos.
Paralelo ao Paralamas na medida do possível.
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